Toda a estrutura da nossa vida é tal que somos ensinados que, a menos que haja reconhecimento, não somos ninguém, somos inúteis. O trabalho não é importante, mas o reconhecimento é - isso é uma inversão de valores. O trabalho deve ser importante, um prazer em si. Você deveria trabalhar não para ser reconhecido, mas porque gosta de ser criativo, porque gosta do trablaho.
Essa é a forma pela qual deveríamos ver as coisas - se você ama o trabalho, você trabalha, e não pede reconhecimento por isso. Sua realização deveria ser o próprio trabalho. E, se todos aprenderem a singela arte de amar o trabalho, independentemente do que ele seja, de ter prazer em realizá-lo sem esperar reconhecimento, nós teremos um mundo melhor e mais feliz .Tal como é, o mundo o tem mantido preso na armadilha de um padrão infeliz. Aquilo que você faz é bom não porque você gosta do que faz, porque você faz perfeitamente, mas porque o mundo reconhece seu trabalho, e o reocmpensa, lhe dá medalhas de ouro. Prêmios Nobel. Todo o valor intrínseco da criatividade foi aniquilado e o de milhões de pessoas foi destruído - pois não se pode dar Premios Nobel a milhões de pessoas. Mas cria-se o desejo de reconhecimento em todos, de modo que ninguém possa trabalhar em paz, em silêncio, tendo prazer naquilo que se faz. Contudo, o valor da vida está nas pequenas coisas. Para essas coisas, não há recompesna, nenhum título concedido por governos, nenhum diploma conferido por universidades.
Um dos grandes poetas deste século, Rabindranath Tagore, viveu em Bengala, Índia. Ele havia publicado seus poemas seus romances, em bengali - mas
não obteve nehum reconhecimento. Algum tempo depois, ele traduziu um pequeno livro, Gitanjali, "Oferendas de Cânticos", para o inglês. Ele estava consciente de que o original tinha uma beleza que a tradução não tinha nem podia ter - porque esses dois idiomas, o bengali e o inglês, têm estruturas diferentes, diferentes formas de expressão. O bengali é muito suave. Mesmo quando você briga ou discute, tem-se impressão de que você está envolvido numa conversa agradável. É muito musical, cada uma de suas palavras é musical. Essa qualidade não existe no inglês nem pode ser transmitida a ele; o inglês tem características diferentes. Mas ele conseguiu traduzi-lo, e a tradução - pobre se comparada com o original - recebeu um Prêmio Nobel. Então, de repente, toda a Índia tomou conhecimento disso... O livro estivera à venda em bengali e em outros dialetos hindus durante anos, mas ninguém havia tomado conhecimento dele.
Todas as universidades quiseram dar-lhe o título de doutor hohoris causa. A Universidade de Calcutá, da mesma cidade em que morou, foi a primeira, obviamente, a oferecer-lhe um título honorífico. Ele recusou. E disse: - Vocês não estão dando-me um diploma; vocês não estão reconhecendo o meu trabalho; vocês estão prestigiando o Prêmio Nobel - pois o livro tem estado aqui de uma forma muito mais bela, e ninguém se deu ao trabalho nem mesmo de escrever um artigo de crítica sobre ele. - Ele se recusou a aceitar todos os títulos honoríficos. E disse ainda: - Isso é insulto para mim.
Jean-Paul Sartre, um dos grandes romancistas e homem de grande penetração no âmbito da psicologia humana, recusou o Prêmio Nobel. Ele disse: "Recebi prêmios suficientes enquanto fazia o meu trabalho. Um Prêmio Nobel não pode acrescentar nada a isso - ao contrário, isso me deprime. É bom para amadores que estão em busca de reconhecimento; sou bastante maduro e tenho me divertido muito. Amo tudo o que tenho feito; isso é a minha recompensa. E não quero nenhum outro prêmio, pois nada pode ser melhor que isso que tenho recebido." Ele estava certo. Mas, no mundo, as perssoas certas são muito poucas, e o mundo está cheio de pessoas equivocadas vivendo presas em armadilhas.
Por que você deveria preocupar-se com reconhecimento? Preocupar-se com reconhecimento tem sentido somente se você não gosta do seu trabalho; nesse caso, ele tem sentido, pois parece compensar algo. Você detesta seu trabalho, não gosta mesmo dele, mas você o está fazendo porque haverá reconhecimento, você será admirado, aceito. Em vez de pensar em reconhecimento, reconsidere o tipo de trabalho que você faz. Você gosta dele? Então, esse é o objetivo. Se você não gosta dele, troque-o por outro!
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